Só pela treta

so pela trtaO pessoal “ta pela treta”, mas tão “pela treta” que não pensa em nada, na repercussão, nas pessoas afetadas, nos possíveis desdobramentos e nem na própria produção. Está se desenhando um cenário muito parecido com o que atuei alguns anos atrás, com outros atores e em outro palco, mas com um roteiro muito parecido. Temos muitas pessoas apontando dedos e fazendo acusações sem antes saber exatamente como as coisas são, ou pior ainda, sabendo, mas incitando mesmo assim “pela treta”.

Falando de publicidade, reaproveitar, reciclar e ressignificar ideias e conceitos é tão natural quanto respirar. É disso que somos feitos, de nossas referências, da soma de todas as coisas que vimos, ouvimos e vivemos. Aquela “super” ideia genial, inovadora, inédita não é nada mais que a soma de diversos fatores e das conexões certas, nunca nada 100% novo e nunca o mesmo. Trabalhamos com transformação!

Lembro da época em que fui criticado junto com meus colegas pela utilização de uma técnica em vídeo, que apesar de complexa e praticamente desconhecida por aqui, não era nova e havia sido utilizada em diversos vídeos mundo afora. Mesmo assim era uma técnica, ressinificada e adequada ao conceito da campanha, o mesmo cenário que se desenha agora, com outros colegas, em outra empresa, que se valeram de uma técnica, utilizada há anos. Um recurso visual como tantos outros que aprendemos em tutorias, com colegas e em cursos. Uma técnica. Fico pensando o que seria do cinema e da televisão se o mundo inteiro tivesse esse furor pela superestimada originalidade. A primeira explosão teria sido a única, a primeira torta na cara também, não teríamos beijos de despedida nem salvamentos no último segundo, seriam somente as primeiras 24h (e bem chatas). Remakes, reboots e adaptações literárias então seriam heresias passíveis de prisão.

No fim de tudo o que me dói é que ao fim do espetáculo os atores saem arrasados, difamados ou demitidos, mesmo tendo cumprido seus papeis, e serão sempre os culpados, enquanto os acusadores permanecem seguros atrás de seus teclados usando sua original hipocrisia “só pela treta”.

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