Maus

Maus é uma obra incrivelmente difícil de resenhar, e como falar de algo tão falado e estudado sem parecer piegas ou repetitivo. Bom, acabamos optando por um vídeo, eu, Lisa e Elis. Vale colocar um comentário sobre o livro que não foi usado no vídeo, mas que definitivamente não pode passar em branco.

Maus é um livro que ninguém consegue largar. Quando os dois ratos falam de amor, você se emociona; quando eles sofrem, você chora.” – Umberto Eco

Só pela treta

so pela trtaO pessoal “ta pela treta”, mas tão “pela treta” que não pensa em nada, na repercussão, nas pessoas afetadas, nos possíveis desdobramentos e nem na própria produção. Está se desenhando um cenário muito parecido com o que atuei alguns anos atrás, com outros atores e em outro palco, mas com um roteiro muito parecido. Temos muitas pessoas apontando dedos e fazendo acusações sem antes saber exatamente como as coisas são, ou pior ainda, sabendo, mas incitando mesmo assim “pela treta”.

Falando de publicidade, reaproveitar, reciclar e ressignificar ideias e conceitos é tão natural quanto respirar. É disso que somos feitos, de nossas referências, da soma de todas as coisas que vimos, ouvimos e vivemos. Aquela “super” ideia genial, inovadora, inédita não é nada mais que a soma de diversos fatores e das conexões certas, nunca nada 100% novo e nunca o mesmo. Trabalhamos com transformação!

Lembro da época em que fui criticado junto com meus colegas pela utilização de uma técnica em vídeo, que apesar de complexa e praticamente desconhecida por aqui, não era nova e havia sido utilizada em diversos vídeos mundo afora. Mesmo assim era uma técnica, ressinificada e adequada ao conceito da campanha, o mesmo cenário que se desenha agora, com outros colegas, em outra empresa, que se valeram de uma técnica, utilizada há anos. Um recurso visual como tantos outros que aprendemos em tutorias, com colegas e em cursos. Uma técnica. Fico pensando o que seria do cinema e da televisão se o mundo inteiro tivesse esse furor pela superestimada originalidade. A primeira explosão teria sido a única, a primeira torta na cara também, não teríamos beijos de despedida nem salvamentos no último segundo, seriam somente as primeiras 24h (e bem chatas). Remakes, reboots e adaptações literárias então seriam heresias passíveis de prisão.

No fim de tudo o que me dói é que ao fim do espetáculo os atores saem arrasados, difamados ou demitidos, mesmo tendo cumprido seus papeis, e serão sempre os culpados, enquanto os acusadores permanecem seguros atrás de seus teclados usando sua original hipocrisia “só pela treta”.

Hábitos Perigosos – Crítica

Quando fui convidado a falar sobre quadrinhos para meus colegas de comunicação em 2014 na Unijuí, na disciplina de Tendências e Inovações, me senti ao mesmo tempo honrado e assustado. Falar sobre quadrinhos me parecia muito distante do que eu imaginava estar dentro dos interesses de meus colegas, afinal não conhecia ninguém que apreciasse esse tipo de leitura além de mim. E qual foi minha surpresa ao perceber que boa parte da turma pegou e leu pelo menos alguns trechos ou tiras e questionavam a cerca de assuntos relacionados a alguns títulos. Também percebi que Batman, X-Men e Vingadores não eram mais exclusividade de admiradores da arte sequencial, que graças a outras mídias um público muito maior se interessou e passou a olhar para estes “gibis” de outra forma, como uma fonte de entretenimento e diversão.

O engraçado é que quando foi proposto de eu escrever para a Usina de Ideias sobre quadrinhos me senti novamente honrado e assustado, ainda mais, desafiado. Elenquei diversos títulos interessantes e busquei histórias que tivessem uma “pegada” mais adulta, que aprofundasse temas mais densos e polêmicos, mesmo que ainda dentro deste universo fantasioso. Também tive certeza que buscaria relacionar com os “multimeios” onde as histórias em quadrinhos têm aparecido, como animações, séries e filmes.

Originalmente essa coluna de estreia seria sobre “A Piada Mortal” (1988), de Alan Moore, que possivelmente ainda será tema de alguma conversa nesse blog e que será adaptada em breve para uma animação. Porém, enquanto preparava o texto sobre “A Piada Mortal” fui atropelado pela notícia da perda de uma ex-professora da Unijuí e colega comunicadora. Sua partida precoce acabou me levando a pensar em outra história: “Hábitos Perigosos”(1991), de Garth Ennis, que tem como protagonista o mago inglês John Constantine e como grande antagonista, o câncer de pulmão em estágio avançado que ele enfrenta.

 

Em “Hábitos Perigosos” não existem maquinações, tramoias ou maldições, recorrentes às histórias do personagem. O que está em xeque, dentro de uma história que é quase um monólogo, é a humanidade e a finitude da vida. Todos os elementos remetem a isto, mesmo em momentos mais fantasiosos, como o encontro com O Primeiro (Lúcifer) ou com O Arrogante (Arcanjo Gabriel), ambos da mitologia cristã, não nos afastam do sofrimento e da constatação desta finitude, não nos distanciam das perdas e do peso de nossas escolhas. “Hábitos Perigosos”, que serviu de inspiração para o filme de 2005, passa longe de sua versão cinematográfica quando pensamos na profundidade como o assunto é tratado, sendo o quadrinho muito mais dramático e duro, com personagens muito mais carismáticos e ainda assim factíveis, muito mais humanos nas páginas do que na tela.

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Tratando do universo de quadrinhos “mainstream”, onde geralmente as histórias tem um aspecto muito mais comercial e raso, “Hábitos Perigosos” se diferencia por sua discussão subjetiva e bastante pretenciosa, se tornando um clássico de leitura obrigatória tanto para velhos adeptos, quanto para novos aventureiros na arte sequencial.

Originalmente publicado em: https://usinacomunica.wordpress.com/2016/03/16/habitos-perigosos/